sexta, 30 de outubro de 2026
Economia
30/10/2026 | 10:13

Importados atingem participação recorde no mercado brasileiro; exportações industriais também avançam

A participação dos produtos importados no mercado brasileiro alcançou 28,3% em 2025, o maior patamar da série histórica iniciada em 2003. O resultado representa avanço de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior, conforme o estudo Coeficientes de Abertura Comercial, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
 
O levantamento aponta maior presença de bens estrangeiros em um cenário de estabilidade da produção industrial brasileira e menor dinamismo da demanda interna. A valorização do real ao longo do período contribuiu para ampliar a competitividade dos produtos importados.
 
Nesse contexto, a China atingiu participação recorde de 10,3% no consumo aparente da indústria de transformação brasileira, com destaque para equipamentos de informática, eletrônicos e produtos têxteis.
 
A utilização de insumos importados pelas fábricas também alcançou o maior nível da série histórica. O coeficiente chegou a 25,8%, estabelecendo recorde pelo segundo ano consecutivo. Enquanto o consumo de insumos industriais estrangeiros cresceu 4,6%, o de insumos domésticos avançou 0,4%.
 
Exportações ampliam participação na produção
 
A parcela da produção da indústria de transformação destinada ao mercado externo passou de 18,9% para 20% em 2025. O movimento refletiu o crescimento de 5,9% das exportações diante de uma produção industrial estável.
 
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, com compras equivalentes a 3,3% do valor da produção industrial brasileira. Na sequência aparecem União Europeia, com 2,5%, e China, com 2,4%.
 
Impulsionada pelas compras de automóveis, a Argentina recuperou a quarta posição, com participação de 1,8%, ultrapassando o Sudeste Asiático.
 
Mesmo com o aumento do uso de insumos estrangeiros, o coeficiente de exportações líquidas permaneceu positivo e estável em 9,6%. O indicador mostra que as receitas de exportação continuaram superiores aos gastos com insumos industriais importados, proporcionalmente ao valor da produção.
 
Dos 20 setores analisados, 11 apresentaram resultado positivo nesse indicador, com destaque para celulose e papel, metalurgia e madeira. Outros nove registraram saldo negativo, entre eles equipamentos de informática e eletrônicos, químicos e têxteis.
 
Competitividade e inserção internacional
 
Para a superintendente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os resultados reforçam a necessidade de uma agenda que combine competitividade doméstica, integração internacional e instrumentos de defesa comercial.
 
A avaliação da entidade é que a ampliação da presença brasileira no comércio global deve ocorrer acompanhada de condições equilibradas de concorrência para a indústria nacional.
 
Para o setor portuário e logístico, o estudo oferece um panorama da inserção internacional da indústria e de sua utilização de insumos externos. Os coeficientes, entretanto, não medem diretamente a movimentação nos portos: o crescimento dos indicadores não pode ser convertido, isoladamente, em aumento de tonelagem ou de contêineres movimentados.
 
Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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